Escuta pública reuniu representantes do audiovisual, artistas, produtores culturais, estudantes e frequentadores da sala para subsidiar a elaboração do próximo edital de gestão do equipamento cultural

O Cine Walmir Almeida passou por uma escuta pública promovida pela Secretaria Municipal da Cultura de Aracaju, nesta sexta-feira, 17, no Centro Cultural de Aracaju, com o objetivo de reunir contribuições para a elaboração do próximo edital de gestão do equipamento cultural. Ao longo do encontro, que reuniu representantes do setor audiovisual, artistas, produtores culturais, realizadores, estudantes e frequentadores do cinema, a maioria dos participantes defendeu a manutenção do atual modelo de gestão, destacando os resultados alcançados com o funcionamento da sala de cinema.

Reaberto há pouco mais de um ano, após um processo de requalificação e modernização, o Cine Walmir Almeida consolidou-se como uma referência de cinema de rua em Aracaju, com uma programação voltada à valorização do cinema nacional, das produções independentes e de obras de relevância internacional. O projeto é executado pela AVBR Produções, por meio de Termo de Colaboração com Organização da Sociedade Civil (OSC), viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, em parceria com o São Lázaro, a partir dos editais nº 006/2023 – Tarcísio Duarte/Audiovisual, da Funcap, e nº 011/2023, da Funcaju.

Além da defesa da continuidade do modelo de gestão, a consulta também reuniu sugestões para o aprimoramento da experiência do público. Entre as principais contribuições estiveram o reforço da segurança no entorno do Centro Cultural de Aracaju e a ampliação das opções de estacionamento para os frequentadores, como também a continuidade das ações de formação de público, das atividades educativas, da acessibilidade e da diversidade da programação. As contribuições serão analisadas pela Secult Aju e poderão subsidiar a elaboração do novo edital de chamamento público.

Durante a escuta pública, os participantes ressaltaram que o modelo de gestão vigente consolidou uma programação permanente e diversificada, com curadoria qualificada, valorização do cinema sergipano, brasileiro e internacional, realização de mostras e festivais, atividades formativas, sessões gratuitas, ampla divulgação da programação, política de preços acessíveis e iniciativas voltadas à democratização do acesso ao audiovisual.

Participantes destacam resultados alcançados

A gestora da AVBR Produções, Deyse Rocha, afirmou que a escuta pública representou o reconhecimento do trabalho desenvolvido para o funcionamento do Cine Walmir Almeida, desde o processo de requalificação da sala até a consolidação de uma programação permanente. “Foi de extrema importância essa escuta para o reconhecimento do trabalho da AVBR Produções e de toda a sua equipe ao longo de mais de dois anos de dedicação ao Cinema do Centro. Durante um ano, nos dedicamos à reforma estrutural e à modernização da sala. Depois, seguimos com mais de um ano de funcionamento contínuo, levando ao público uma programação permanente e diversificada. Todo esse trabalho realizado é em cumprimento a um edital, mas sempre entendendo que o resultado deveria ser para toda a população aracajuana. Hoje tivemos a confirmação pública de que essa entrega é verdadeira, produtiva e aprovada pelos frequentadores do cinema. A sala ficou fechada por mais de quatro anos e hoje está digital, podendo receber não somente filmes que estão no circuito nacional e internacional, mas também festivais de extrema relevância, que têm total aprovação do público, seja ele profissional ou estudante”, afirmou.

O secretário municipal da Cultura, Paulo Corrêa, destacou que as manifestações da escuta pública evidenciaram o reconhecimento da qualidade do trabalho desenvolvido pela atual administração da sala. Ele reforçou que a Prefeitura de Aracaju está formalizando a permanência da atual gestão até a definição da nova administração por meio de edital, garantindo a continuidade das atividades do Cine Walmir Almeida durante o período de transição. “Tudo o que foi colocado aqui foi muito importante e também pudemos ver, pelos depoimentos, o que tem sido feito e como a programação disponibilizada nesse período da atual gestão foi aprovada e consensuada. Não ouvi ninguém dizer que não teve qualidade. Pelo contrário, houve um reconhecimento da qualidade do trabalho desenvolvido. Por isso, estamos formalizando a permanência da atual gestão até que seja definida uma nova gestão por meio de edital. Queremos que esse trabalho tenha continuidade, que não sofra interrupção”, destacou.

Idealizadora do projeto, coordenadora e responsável pela curadoria do Cine Walmir Almeida, Rosângela Rocha atua há mais de 20 anos no audiovisual sergipano e recebeu com emoção as manifestações favoráveis à continuidade do projeto durante a escuta pública. “Ouvir da própria comunidade a defesa deste projeto é muito emocionante. É a confirmação de que o Cine Walmir Almeida se tornou um espaço vivo, democrático e acolhedor para a cidade. Os cinemas de rua são cada vez mais raros no Brasil, e Aracaju tem o privilégio de contar com uma sala como esta, no coração da cidade, dedicada à formação de público e à valorização do cinema brasileiro, das produções independentes e de grandes obras do cinema mundial. Esse reconhecimento nos mostra que as pessoas compreenderam a importância de preservar um equipamento cultural que aproxima o público do cinema e fortalece o audiovisual sergipano”, afirmou Rosângela Rocha, também diretora do Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe (Curta-SE), o maior festival de cinema do estado.

O filho do cineasta que dá nome ao equipamento, Eduardo Almeida, destacou a importância do Cine Walmir Almeida para a preservação da memória cultural de Sergipe e para a democratização do acesso ao audiovisual. “Eu vejo a homenagem a Walmir Almeida, assim como o cinema em si, como uma forma de perpetuar o legado de sergipanos ilustres e um patrimônio cultural. É o único cinema que nós temos aqui no Centro da cidade, um cinema de rua, um marco importantíssimo na cidade, que deve ser mantido. Tem uma programação que foge totalmente dos cinemas comerciais. Acho isso um marco cultural para nossa cidade”, salientou.

 

Frequentadora do Cine Walmir Almeida e diretora da Galeria Álvaro Santos, Jaci Rosa Cruz ressaltou o diferencial da programação e o caráter democrático do espaço. “Eu trabalho no Centro da cidade. Um cinema como esse, com um nível de programação incrível. A gente consegue ver os filmes antes mesmo dos cinemas comerciais. Para mim, é maravilhoso ter um cinema aqui e com essa qualidade. Primeiro porque a programação que vem para cá é o que mais me atrai, mais do que a de outros cinemas, com filmes mais famosos e hollywoodianos. É uma programação mais fora do circuito oficial, que acontece sempre nos shoppings do Brasil. É mais democrático, tanto na aceitação do público, como na seleção de filmes e no próprio espaço”, reiterou Jaci Rosa.

Estudante do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Iasmin Santiago destacou a importância do Cine Walmir Almeida para a formação dos estudantes e o fortalecimento do audiovisual sergipano. “Eu acredito que é muito importante porque a gente estuda, está sempre treinando e tentando colocar em prática o audiovisual, sempre focado na nossa região, no nosso contexto, como Sergipe e como Nordeste. Poder ter esse espaço, onde a gente pode ver essas referências que a gente estuda e que quer colocar em prática, é muito importante. Ter esse acesso e esse contato entre o curso de Cinema da universidade e o Cinema do Centro é muito enriquecedor, tanto pelas exibições como pelos eventos que acontecem aqui”, disse Iasmin Santiago.

Ao final da escuta pública, o secretário municipal da Cultura, Paulo Corrêa, destacou que todas as manifestações servirão de base para a elaboração do novo edital de gestão do Cine Walmir Almeida. Segundo ele, o processo fortalece a política cultural do município e contribui para a construção de um edital alinhado às necessidades do equipamento e às expectativas da sociedade. “A escuta pública é um processo de democratização para os segmentos da cultura e para a população em geral. Ouvir os interessados na utilização desse equipamento é fundamental. Tudo o que foi escutado aqui vai servir de subsídio para elaborar o melhor texto para o edital. Para a população, para a gestão e para a política cultural do município de Aracaju, esse equipamento é importantíssimo. O nível que está já apresenta um resultado extremamente positivo”, assegurou.